“A vida como ela é...": da zona norte à zona sul pulsa o Rio de Janeiro romântico de Nelson Rodrigues

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35921/jangada.v1i16.303

Palavras-chave:

Jornalismo, Nelson Rodrigues, Ficção, Cidade, Familia, Cotidiano

Resumo

Este artigo pretende diagnosticar a relação de Nelson Rodrigues (1912-1980) e sua ficção jornalística através de seu ensejo memorialístico como matéria-prima elementar, tendo a cidade do Rio de Janeiro como cerne de sua percepção do cotidiano das ruas e mudanças comportamentais nos “anos dourados”. As crônicas analisadas (“Mausoléu” e “Marido Fiel”) fazem parte do contexto da década de 1950 e foram escritas na coluna diária “A vida como ela é...” (1951-1961), do Jornal “Última Hora”, e trazem em sua construção similaridade com outras obras publicadas pelo escritor, também de teor memorialístico ou ficcional ao pensar a cidade, tais como (“O Casamento”, “A menina sem estrela”, “O Óbvio Ululante”, “Cabra Vadia” e “Dorotéia”). Como estas, as crônicas de “A vida como ela é...” se entrelaçam na construção de sua visão romântica ao perceber a sociedade carioca, palco de intensas mudanças estruturais, que ainda trazia consigo o pessimismo e a nostalgia da belle époque emoldurando as relações sociais dentro de um ordenamento social mais coeso e moralista, período este que o jornalista traz como marca temporal em sua escrita. Permeando esse sentimento de passado como refúgio, ou de apego às relações mais tradicionais, o cronista capta os sinais, indícios e detalhes. O olhar sobre as fontes documentais se faz a partir da contribuição do paradigma indiciário de Carlo Ginzburg (1939-), ao perceber as minúcias de um presente em fragmentação que se transforma em discurso pela ótica ficcional, sendo esta inteligível para o entendimento das tramas no tempo.

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Publicado

2021-01-30

Como Citar

dos Santos , L. A. (2021). “A vida como ela é.": da zona norte à zona sul pulsa o Rio de Janeiro romântico de Nelson Rodrigues. Jangada: Crítica | Literatura | Artes, 1(16), 213–241. https://doi.org/10.35921/jangada.v1i16.303