Deslocamentos na escrita da memória: o retorno em Aline Motta e Aimé Césaire
DOI:
https://doi.org/10.35921/jangada.v13i2.681Palavras-chave:
Memória, Identidade, Retorno, Aimé Césaire, Aline MottaResumo
O presente trabalho visa discutir a noção de retorno na obra A água é uma máquina do tempo, da escritora e artista multimídia Aline Motta, numa análise comparativa com o clássico trabalho de Aimé Césaire, Diário de um retorno ao país natal. Enquanto Césaire volta à ilha caribenha da Martinica, recuperando sua vinculação com a Mãe África e a experiência coletiva dos negros colonizados, Motta busca sua ancestralidade como quem desfia uma trama, investigando arquivos, analisando seu território e, de alguma forma, também chegando ao continente africano. O poeta martinicano, no entanto, tensiona a ideia de nação, enquanto a poeta brasileira enfoca o universo familiar e seus ecos ancestrais. Nesses deslocamentos, ambos fazem uma escrita da memória que conjuga indivíduo e coletividade.
Downloads
Referências
AZARA, Michel Mingote Ferreira de. Poética do desabrigo: poesia e filosofia em Edimilson de Almeida Pereira. In: AZARA, Michel Mingote Ferreira de; CLIMENT-ESPINO, Rafael (orgs.). Perspectivas críticas da literatura brasileira no século XXI: prosa e outras escrituras. São Paulo: Educ, 2021. p. 203-224.
BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. Tradução: Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
BERND, Zilá. O que é negritude. São Paulo: Brasiliense, 1988.
BRASILEIRO, Castiel Vitorino. Quando o sol aqui não mais brilhar: a falência da negritude. São Paulo: n-1 Edições, 2022.
CÉSAIRE, Aimé. Diário de um retorno ao país natal. São Paulo: Edusp, 2012.
DANZIGER, Leila. A filha, ancestral da mãe. Revista Rosa, São Paulo, volume 6, nº 1, setembro, 2022. Disponível em <https://revistarosa.com/6/filha-ancestral-da-mae> Acesso em 2 de dezembro de 2025.
FIGUEIREDO, Eurídice, et al. (2005). Negritude, Negrismo e Literaturas afro-descendentes. In: FIGUEIREDO, Eurídice (org.). Conceitos de literatura e cultura. 2. ed. Niterói : Editora da UFF; Juiz de Fora: Editora UFJF, 2010, 313-340.
GARRAMUÑO, F. Depois do sujeito: formas narrativas contemporâneas e vida impessoal. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 50, abril, 2017, p. 102-111. Disponível em <https://doi.org/10.1590/2316-4018507> Acesso em 10 de março de 2026.
GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34, 2001.
GLISSANT, Édouard. Poética da relação. Rio de Janeiro: Sextante Editora, 2011.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução: Laurent Léon Schaffer. São Paulo: Edições Vértice, 1990.
KLINGER, Diana. Literatura e ética: da forma para a força. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
MBEMBE, Achille. Afropolitanismo. Áskesis, nº 2, julho/dezembro, 2015, p. 68-71. Disponível em <https://www.revistaaskesis.ufscar.br/index.php/askesis/article/view/74/pdf_1> Acesso em 10 de março de 2026.
MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. São Paulo: Editora n-1, 2018.
MOTTA, Aline. A água é uma máquina do tempo. São Paulo: Círculo de Poemas, 2022.
__________. A água é uma máquina do tempo. ELyra: Revista Da Rede Internacional Lyracompoetics, nº 18, dezembro, 2021, p. 333–337. Disponível em <https://doi.org/10.21747/2182-8954/ely18d1> Acesso em 30 de novembro de 2025.
NETO, Agostinho. Sagrada esperança. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 1979.
VILLA-FORTE, Leonardo. Escrever sem escrever: literatura e apropriação no século XXI. Rio de Janeiro: Ed. Puc-Rio; Belo Horizonte: Relicário, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Mauro Gabriel Morais da Fonseca

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Todo o conteúdo publicado pela Revista Jangada é distribuído sob os termos da Licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Os autores mantêm os direitos autorais sobre suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação. Sob os termos desta licença, é permitido a terceiros copiar, distribuir, exibir e executar a obra, bem como criar obras derivadas e fazer uso comercial do material, desde que seja atribuído o devido crédito aos autores originais e à publicação inicial nesta revista.
URL oficial da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/