Memória afro-dispórica, gênero e colonialidade em 'Meridiana', de Eliana Alves Cruz
DOI:
https://doi.org/10.35921/jangada.v13i2.674Palabras clave:
Memória, Decolonialidade, Trauma, Gênero, ArquivoResumen
O presente artigo analisa o romance Meridiana (2025), de Eliana Alves Cruz, com o objetivo de investigar como a narrativa constrói um arquivo literário da memória afro-diaspórica a partir de experiências atravessadas por gênero e colonialidade, bem como de que modo reconfigura as formas de transmissão do trauma histórico. Parte-se da seguinte questão: como a obra articula memória, corpo e linguagem para reinscrever experiências historicamente silenciadas? Em diálogo com Caruth (1996), Quijano (2005), Derrida (2001), González (2020) e Mbembe (2018), argumenta-se que o romance opera como um contra-arquivo, no qual o trauma se apresenta como experiência estrutural, transmitida por meio da repetição, do silêncio e das relações intergeracionais. Como resultado, evidencia-se que a narrativa desloca a memória do campo da herança para o da prática, produzindo formas críticas de elaboração e ruptura no interior da experiência afro-diaspórica.
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