Arquivos do Império: O 'Diário do Congo' de Roger Casement

Autores

  • Mariana Bolfarine Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.35921/jangada.v13i2.695

Palavras-chave:

Diário, Arquivo queer, Império, Abjeção, Roger Casement

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar o Diário do Congo, de Roger Casement, não apenas como uma forma de escrita de si, mas também, em sentido mais amplo, como um arquivo do império — um repositório que é, ao mesmo tempo subjetivo e que, ao mesmo tempo, condensa o Zeitgeist do período e inscreve questões centrais de sua contemporaneidade. Parte-se da hipótese de que o diário, em suas especificidades formais, distingue-se significativamente do Relatório, sobretudo no que diz respeito ao teor, à fragmentação, à temporalidade ao modo de inscrição da experiência. Busca-se discutir as controvérsias em torno da sexualidade de Casement, registrada no diário de maneira cifrada, por meio de símbolos e do uso de outras línguas, e como esse mesmo documento contribuiu para sua posterior rejeição, suscitando inclusive sentimentos de abjeção. Tal recepção acaba por tensionar a leitura de seus relatórios sobre o Congo e a Amazônia, frequentemente considerados textos inaugurais no campo dos direitos humanos e em relação a sua própria figura. A fundamentação teórica apoia-se nos estudos sobre escrita de si, diário e relato de viagem, a partir de Michel Foucault (1992), Irina Paperno (2004) e Maurice Blanchot (2005), bem como as teorizações sobre abjeção e nojo formuladas por Julia Kristeva (1982) e William Ian Miller (1997).

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Publicado

2026-10-17

Como Citar

Bolfarine, M. (2026). Arquivos do Império: O ’Diário do Congo’ de Roger Casement. Jangada: Crítica | Literatura | Artes, 13(2), e130217. https://doi.org/10.35921/jangada.v13i2.695